Quando caminhamos a pé todos os dias para a escola passamos a conhecer todas as perfeições e imperfeições do nosso trajeto. Todas as rachaduras e buracos do chão, paredes e muros pintados e pichados, as novas flores das árvores e as pessoas que sempre estão presentes no nosso dia a dia, mesmo sem conhecê-las.
Passamos sempre na frente de uma loja de calçados - Clarice passa duas vezes e eu passo quatro vezes, e em todas elas um rapaz que trabalha lá diz na maior animação:
- Bom dia! Quer entrar para ver as promoções?
- Hoje não, obrigada!
Ele fala em T-O-D-A-S-A-S-V-E-Z-E-S-N-A-I-D-A-E-N-A-V-O-L-T-A… Até achei que ele estava me zoando, porque entre as duas primeiras passadas o intervalo é de dois minutos. Ele tinha acabado de falar comigo, não era possível que achava que eu tinha mudado de ideia assim tão rápido. Isso acontecia quando eu estava acompanhada ou desacompanhada. Era até engraçado. A gente até pensou em fazer como aquele meme onde a pessoa levanta um cartaz com uma frase qualquer e na nossa seria: “Não queremos ver as promoções, obrigada.”
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| Clarice e sua Grande Bolha |
Um dia resolvi conversar com ele. Perguntei seu nome e batemos o maior papo. Ele me contou sobre sua vida, a família, como estavam indo os negócios. Disse estar bem difícil o comércio hoje em dia com a pandemia, que as pessoas resolvem seus problemas online, ele inclusive só faz compras online, enfim, ele falou bastante, uma simpatia. Eu escutei tudo o que ele tinha pra falar e disse que quando o meu tênis “acabasse” eu iria comprar outro lá.
Agora eu te pergunto. Quantas foram as vezes em que você ouviu uma história atentamente e genuinamente sem estar se preparando para falar algo? Somente ouvindo com interesse?
Ao fazermos isso temos a oportunidade de escutar histórias reais de pessoas interessantes e que nem sempre fazem parte do nosso círculo social. Experimente!
Fabiano Issas disse: "A escuta é gratuita, generosa, altruísta e muitas vezes penosa. É o silenciar do seu mundo quando o mundo do outro fala. Quem nunca se cala desconhece o som da humanidade.”
Hoje em dia nos cumprimentamos pelo nome e posso dizer que tenho um amigo aliado que traz uma certa segurança de andar por ali. Sempre atento, solícito e com um sorriso no rosto.
Texto: Maria Fernanda Garcia

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