Domingo é dia de Avenida Paulista bebê!
Saímos com toda a nossa família para um passeio dominical delicioso. Isso era um hábito antes da pandemia. A gente costumava fazer esse tipo de coisa. O marido e a filha foram de bicicleta e eu fui a pé com a cachorra. O dia estava lindo. Céu azul. Um calorzinho que tentava firmar diante de sucessivos dias frios. As ruas estavam cheias de pessoas como nós. Em busca de sol, atividade, movimento e vida.
Durante a caminhada eu senti. Senti demais. Começou com felicidade, passando logo para a raiva, a aflição, a angústia, o medo. Eram muitos sentimentos que se misturavam e que ia cada vez mais me atordoando e me deixando desconfortável.
Eu sentia dor. Uma dor física no quadril. Como se tivesse uma agulha fincada entre o fêmur e o quadril. Normalmente essa dor passa conforme o exercício ocorre e o corpo aquece. Faz alguns meses que não passa. Que a dor é constante. Como se viver doesse. E doí. Viver dói. Crescer dói.
Saímos com toda a nossa família para um passeio dominical delicioso. Isso era um hábito antes da pandemia. A gente costumava fazer esse tipo de coisa. O marido e a filha foram de bicicleta e eu fui a pé com a cachorra. O dia estava lindo. Céu azul. Um calorzinho que tentava firmar diante de sucessivos dias frios. As ruas estavam cheias de pessoas como nós. Em busca de sol, atividade, movimento e vida.
Durante a caminhada eu senti. Senti demais. Começou com felicidade, passando logo para a raiva, a aflição, a angústia, o medo. Eram muitos sentimentos que se misturavam e que ia cada vez mais me atordoando e me deixando desconfortável.
Eu sentia dor. Uma dor física no quadril. Como se tivesse uma agulha fincada entre o fêmur e o quadril. Normalmente essa dor passa conforme o exercício ocorre e o corpo aquece. Faz alguns meses que não passa. Que a dor é constante. Como se viver doesse. E doí. Viver dói. Crescer dói.
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| Photo by Jonathan Borba on Unsplash |
Junto com a dor física, tinha uma dor interna. Sem identificação. Mergulhei fundo em mim, mas a causa da dor não foi achada. A raiz da dor estava profunda. Tão profunda que faltou ar para mergulhar até lá.
Uma dor sem nome. E o que é difícil não saber nomear o que se sente. Só se sente. Só sabemos que dói. Dói no coração. Dói na alma.
Esse “não conseguir nomear”, vem acompanhado de lágrimas que escorrem gordas pelo rosto. Onde a água que se bebe desce quadrada. O pedaço de bolo de chocolate desce amargo. O almoço bem caprichado deixa de ter graça.
Foram horas desses mergulhos. E o ar ainda faltava. A boca seguia seca. A alma em frangalhos. Continuei. Mergulhando em mim mesma. Em busca de alívio.
O alívio da dor chegou junto com a palavra dita. Dita em voz alta para eu mesma ouvir. Dita em voz alta para meu marido. Dita em voz alta para minhas vizinhas (que nunca conversei…) ouvirem. E foi aí. Depois de dizer, de verbalizar, que eu consegui pegar o ar que faltava para conseguir chegar lá, no meu eu profundo. Achei. Alívio. E que alívio.
Que não nos falte clareza para identificar o que sentimos, palavras para dizermos o que aflige e ar para chegar lá, bem no fundo e voltar a viver de maneira mais plena, consciente e tranquila possível. Perfeita não, Possível!
Uma dor sem nome. E o que é difícil não saber nomear o que se sente. Só se sente. Só sabemos que dói. Dói no coração. Dói na alma.
Esse “não conseguir nomear”, vem acompanhado de lágrimas que escorrem gordas pelo rosto. Onde a água que se bebe desce quadrada. O pedaço de bolo de chocolate desce amargo. O almoço bem caprichado deixa de ter graça.
Foram horas desses mergulhos. E o ar ainda faltava. A boca seguia seca. A alma em frangalhos. Continuei. Mergulhando em mim mesma. Em busca de alívio.
O alívio da dor chegou junto com a palavra dita. Dita em voz alta para eu mesma ouvir. Dita em voz alta para meu marido. Dita em voz alta para minhas vizinhas (que nunca conversei…) ouvirem. E foi aí. Depois de dizer, de verbalizar, que eu consegui pegar o ar que faltava para conseguir chegar lá, no meu eu profundo. Achei. Alívio. E que alívio.
Que não nos falte clareza para identificar o que sentimos, palavras para dizermos o que aflige e ar para chegar lá, bem no fundo e voltar a viver de maneira mais plena, consciente e tranquila possível. Perfeita não, Possível!
Texto: Maria Fernanda Garcia

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