"Das coisas existentes, algumas são encargos nossos; outras não. São encargos nossos o juízo, o impulso, o desejo, a repulsa - em suma: tudo quanto seja ação nossa. Não são encargos nossos o corpo, as posses, a reputação, os cargos públicos - em suma: tudo quanto não seja ação nossa.” (Epicteto 50 - 135 d.c)
Sexta feira passada foi dia de “jantar filosófico” em casa. Calma. Não somos filósofos não, mas usamos a máxima de Epicteto essa semana.
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| Photo by Fathul Abrar on Unsplash |
Clarice estava extremamente chateada. Arrasada mesmo. Durante o jantar ela nos contou que no recreio as professoras fizeram um jogo entre duas turmas e no final, o grupo dela perdeu. Mas não foi isso que a deixou chateada, o que deixou ela arrasada foi um menino do grupo vencedor cantando e dizendo: “vocês são perdedores, vocês são perdedores…”
Durante o jantar ela dizia que ele não podia fazer aquilo porque ela não faria aquilo.
Foi nesse momento que fomos iluminados pelo estoicismo que diz que para se ter a felicidade e a liberdade é preciso entender que algumas coisas estão sob nosso controle e outras não. E que está totalmente fora do nosso controle saber e dizer como os outros devem agir e de como somos vistos pelos outros. Essas coisas não dependem de nós. E que tentar controlar ou mudar o que não podemos, só ficaremos mais aflitos, angustiados e arrasados.
Diante disso ela perguntou:
- Mas então o que eu faço? Eu fico muito nervosa e brava!!!
Juntos fomos fazendo listas do que ela poderia ou não fazer e a conclusão dela… sim ela, do alto dos seus 7 anos de idade concluiu sozinha que o melhor seria ignorar, deixar pra lá, entrar por uma orelha e sair pela outra, let it go…
Não que seja fácil! Eu com 39 anos às vezes ainda me pego pensando naquilo que não me diz respeito ao invés de manter a atenção concentrada em mim e no que de fato é meu.
Mas seguimos no mantra - O que pertence ao outro é problema dele! O que pertence ao outro é problema dele!
Texto: Maria Fernanda Garcia

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