Minha filha cresceu e mudou de escola. Agora ela estuda bem pertinho de casa, o que nos possibilita ir e voltar caminhando. É uma novidade para nós esse processo. E nós estamos aproveitando bastante a nova rotina. Saímos de casa sempre no mesmo horário e fazemos exatamente as mesmas coisas. Eu carrego a mochila dela nas minhas costas e partimos para nossa aventura diária.
O elevador chega no térreo do prédio e assim que saímos, as nossas mãos se procuram. Vamos de mão dadas o percurso todo. Uma delícia.
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| Acervo Pessoal |
Eu tenho uma “tara” por mãos. Especialmente e principalmente as mãozinhas dela. Macia, fofa, cremosa, pequena. Enquanto estamos de mãos dadas, fico passando o meu dedão na mão dela. Um carinho. Que ela se permite receber.
No nosso caminho, muitas vezes não falamos nada. Só vamos observando tudo o que se passa na rua. Se está calor ou frio, se está ventando. Nosso percurso é movimentado, tem sempre muita gente, muitos carros e ônibus. E ela com seus grandes olhos vai assimilando e compreendendo tudo à sua volta. Mesmo sem falar a gente consegue se entender pelas mãos. Às vezes ela aperta um pouco a minha, às vezes eu que aperto um pouco mais a dela. Não importa o que aconteça, nossas mãos estão juntas e seguras, uma com a outra.
Juro que tenho vontade de engolir as mãos dela.
Atravessamos uma grande avenida com passos rápidos que a panturrilha chega a queimar. Vez ou outra ela saltita na faixa de pedestres, mas sempre de mãos dadas. Sempre. Quando finalmente estamos chegando na porta da escola, a gente se solta, nos abraçamos e nos beijamos e ela entra junto com suas deliciosas mãos para mais um dia interessante de sua vida.
E eu sigo com as minhas mãos. Vou me encontrar, me curtir e me permitir viver enquanto espero a hora de nossas mãos se juntarem novamente no final do dia.
E assim será na vida, Porque independente do caminho que ela escolher seguir, minhas mãos estarão sempre ali, juntas das dela.
Texto: Maria Fernanda Garcia

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