Depois de quase 1 ano e meio eu pude ficar sozinha em casa!
Foi uma tarde inteirinha sozinha. 5 horas. 300 minutos. Somente eu comigo mesma.
A.P (antes da pandemia) eu ficava sozinha em alguns dias da semana e amava. Era nesses momentos que eu me conectava comigo. Que eu fazia o que eu queria ou que simplesmente não fazia nada e não tinha ninguém em casa para ver isso. Era somente EU.
D.P (durante a pandemia) eu também faço tudo que quero, incluindo não fazer nada, mas tem sempre alguém em casa para ver.
![]() |
| Photo by Toni Reed on Unsplash |
Meu marido saiu de manhã para uma reunião presencial no escritório e eu e minha filha ficamos a manhã todinha juntas. Só que o período matutino passa num piscar de olhos. Quando menos percebi já estávamos saindo de casa rumo ao Colégio.
Chegando na porta da escola, me despedi dela e instantaneamente um sorriso começou a surgir no meu rosto. Minha vontade era dar uma “sambadinha” de felicidade ali mesmo. Mas me contive. Passei na padaria e fui para minha casa, curtir meu momento.
Abri a porta e me vi ali. Diante da sala. Vazia. Me esperando. Corri e dei uma cambalhota no tapete, tamanha era a minha empolgação. Dei corridinhas pela casa, dancei, rebolei, pulei e parei.
Fiquei sozinha! Sozinha não! Em minha companhia. A tarde toda. Me curtindo. Me amando. Falando sozinha. Não fazendo nada. No silêncio. No ócio. Na solitude. Mas não foi uma solitude doída não.
Foi uma solitude que me abraçou, uma solitude que me fez respirar, me acalmar, me cuidar, silenciar.
Um silêncio maduro. Um silêncio que transforma. Um silêncio cheio. Um silêncio gostoso.
Hoje em dia consigo me silenciar mesmo no caos da minha casa sempre cheia. Mas que é bom ficar só, ah isso é!
Texto: Maria Fernanda Garcia

Nenhum comentário:
Postar um comentário