terça-feira, 17 de agosto de 2021

Fusca Azul


Você conhece a lenda do Fusca Azul?

Aquela brincadeira em que quem avistar um desses carros pelas ruas, enchemos o ser humano que está ao nosso lado de tapas.

Dizem que, no início do século 20, os veículos saíam da fábrica apenas na cor preta. Mas por um descuido de um dos operários - que errou na proporção da mistura das tintas - os carros começaram a sair da linha de produção num tom de azul. O dono da marca não gostou nada do erro e começou a dar tapas nas costas do responsável. Assim, esses carros “errados” passaram a ser vendidos apenas para funcionários, que começaram a dar os mesmos tapas nos outros quando viam algum.

Essa brincadeira é muito praticada pela minha família há tempos, atravessando gerações. Começou com meus avós, que passou para meus pais, e que passou para eu e meus irmãos, que passamos para nossos primos e que agora, Clarice, brinca como se não houvesse amanhã. Ela vive investigando como e com quem fazíamos essa, e outras brincadeiras, brinquedos, cantigas. Um resgate da cultura e do imaginário popular de outrora. 

Miniatura de Fusca Azul - Imagem: Consulado do Brinquedo


Teve uma época que tinha um fusca azul estacionado dentro da garagem do meu prédio. Algum morador desavisado - ou não -  comprou um exemplar do tal carro. A gente já entrava na garagem com a mão armada para bater no coleguinha do lado. Uma loucura.

Na garagem de uma das casas, perto do nosso restaurante japonês favorito, tem um fusca azul claro lindo. Nem preciso dizer que passamos por lá preparados para desferir tapas.

Dia desses, enquanto íamos para escola, eu tomei um tapa da Clarice acompanhado do grito “fusca azul”, e eu , desligada que sou, não achei o carro na rua. Então ela disse: “Ali”, apontando para uma miniatura do carro na banca de jornal - “mini fusca azul” ela disse.

E assim evoluímos a brincadeira que atravessa os séculos.


Texto : Maria Fernanda Garcia


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